Alentejo - Nova «Aldeia da Luz»
Eis-me chegando à Nova «Aldeia da Luz»

A nova aldeia da Luz, tem casas modernas que imitam a tradicional linha arquitectónica alentejana.
A planta da vila é muito ordenada, estilo ortogonal (com ruas e avenidas perpendiculares) e é fácil perceber que foram feitas de encomenda.
Numas ruas encontramos casa brancas com faixa azuis, noutras com faixa amarelas e até há casas com faixas castanhas. Muitos dos nomes das novas ruas são letras do alfabeto, p.ex. Rua G - Rua M.
O ambiente é alentejano, mas há pormenores que destoam como o design dos novos candeeiros.

Na nova aldeia da Luz mantém-se a igreja e o cemitério, com a mesma relação de proximidade e tensão mas adaptado à nova geografia, e surge um novo equipamento cultural o Museu da Memória que assume o duplo papel de “depósito de memória do lugar e registo dinâmico do processo de transformação que gera uma relação de cumplicidade entre o passado e o presente/futuro.”
A igreja e o cemitério mantêm-se, tal como na situação original, afastados da aldeia, no prolongamento da sua rua principal.
O xisto, abundante naquela região, foi o material usado na estrutura da Igreja. Os revestimentos à base de materiais naturais – argilas e cal - também usadas em todo o Alentejo são fundamentais para manter ou reflectir o calor.
O alpendre na nova igreja proporciona uma situação privilegiada sobre a paisagem de onde se pode contemplar o Sol a esconder-se por trás daquela que será a albufeira do Alqueva.
A menos de 20 metros da igreja, o cemitério da nova Luz. O muro branco e os ciprestes são os ícones que se destacam no novo edifício e que fazem parte da memória colectiva referente àquele lugar. Dentro dos muros do cemitério as campas foram mantidas com alturas diferentes também respeitando a marca de um crescimento não programado. O pavimento em mármore branco disposto de forma vertical acompanha a inclinação do terreno que favorece a contemplação e mantém de certa forma a mesma espiritualidade que se pode respirar no original.
(Fotos minhas - nesta foto, o novo Museu da Luz)Ao chegar ao largo da nova igreja matriz a primeira imagem que temos do Museu da Memória é a de uma parede de xisto, lisa, nos tons castanho esverdeado e avermelhado que a pedra assume na região — os vermelhos são particularmente especiais porque evocam o banco de xisto que se encontra junto da actual igreja a que o povo chama de “borras de vinho”. Esta parede impede-nos a vista que poderíamos ter sobre a albufeira, mas integra-se completamente na paisagem, como se o pavimento de xisto que ali cobre o solo se materializasse numa parede.
Para entrar no Museu temos de contornar a parede e descer uma rampa que nos projecta na imensidão alentejana, mas que dentro de alguns anos será a de um lago a perder de vista. Também aqui o xisto é o material de eleição que ocupa a quase totalidade do edifício.
Para entrar no Museu temos de contornar a parede e descer uma rampa que nos projecta na imensidão alentejana, mas que dentro de alguns anos será a de um lago a perder de vista. Também aqui o xisto é o material de eleição que ocupa a quase totalidade do edifício.
A excepção é a Sala da Luz, a jóia da coroa do Museu. Este espaço, revestido a branco em todas as superfícies e furado por uma chaminé que o inunda de luminosidade, poderia ser, de acordo com Pedro Pacheco “um elogio às qualidades naturais do sítio”. A Sala da Luz é também um ponto de relação entre o interior e a paisagem ao abrir-se num pátio e ao lançar o nosso olhar para o Monte dos Pinheiros, que ficará depois de a barragem encher como a referência daquela que foi a aldeia da Luz.
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