sexta-feira, junho 08, 2007

Alentejo - «Cromeleque do Xarez»

Voltando um pouco atrás, ao sair das «fortificações de Monsaraz» tinha 2 alternativas, ou ia para a região do «Grande Lago» como fui, ou ia para a região de Telheiro, que se via lá bem do alto de Monsaraz. Decidi-me ir por este lado e parei junto da «Fonte do Telheiro». Chamou-me a atenção esta fonte, porque na loja de artesanato em que fiz algumas compras, via-se muito esta fonte pintada no fundo dos pratos decorativos. Em conversa com o senhor da loja de artesanato que me contou a história da fonte, fiquei curiosa e fui até ao Telheiro. Mesmo em frente à fonte há um antigo lavadouro público, onde as mulheres se juntavam para lavar a roupa de seus familiares e, conversavam sobre suas vidas.


De regresso ao cruzamento de Monsaraz, passo numa rotunda e vejo uma tabuleta com a indicação de «Cromeleque», curiosa sigo naquela direcção e encontro o «Convento de Orada», olhando em volta, ao fim de algum tempo descubro então o dito «Cromeleque» que verdade seja dita, não tem qualquer sinalização. Deixei o carro e fui a pé, não se via ninguém. Achei que as peças estavam colocadas por mão humana e até comentei com a minha amiga, que aquilo tinha sido ali colocado pelo Homem. Hoje, em pesquisa na net sobre o assunto descubro então, muita informação e já entendo a minha observação e, o motivo para que tal tivesse acontecido.


Datado provavelmente de há cerca de 4.000. a. C. - início / 3.000 a. c., este recinto megalítico não é propriamente um cromeleque no sentido geométrico da nomenclatura megalítica, tratando-se, provavelmente, de um recinto megalítico de forma quadrangular constituído por 55 menires graníticos de cerca de 1,20 a 1,50 metro, alguns de configuração fálica, outros de forma almendrada, dispostos em torno do um grande menir central de configuração fálica, com uns 4,50 metros de altura e cerca de 7 toneladas de peso, decorado por uma linha vertical de gravuras do tipo "covinhas".
O reconhecimento e identificação em 1969 na Herdade do Xarez de Baixo, do conjunto de menires que integram o Cromeleque do Xarez, fica a dever-se ao falecido Dr. Pires Gonçalves, médico, historiador e arqueólogo de Reguengos de Monsaraz, encontrando-se os mesmos, na altura deslocados pelos trabalhos agrícolas do local original. Pires Gonçalves procedeu a trabalhos de investigação que lhe permitiram localizar o local exacto do menir central, e ensaiar a reconstituição da forma de implantação dos restantes.
(Fotos minhas - nesta foto vê-se do lado direito uma pequena parte do «Convento da Orada»
Encontrei esta notícia:
O Cromeleque do Xarez será reinstalado, durante 2003, num processo pioneiro em Portugal, que se insere no âmbito da minimização dos impactes arqueológicos resultantes do enchimento da barragem de Alqueva.
Nesse sentido, a Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas de Alqueva (EDIA), a Câmara de Reguengos e Junta de Freguesia de Monsaraz celebraram, no passado dia 27 de Dezembro, um protocolo que contempla a instalação do conjunto de 55 menires junto ao Convento da Orada.
Será ainda neste local que vai ser construído o futuro museu regional de arqueologia, que deverá juntar vários vestígios encontrados na zona inundada pela albufeira de Alqueva.
in Diário de Notícias, 2002Dez28

Cromeleque do Xerez muda-se para o Convento da Orada
PUBLICADA: 28/12/2002
Por causa da subida das águas da Barragem do Alqueva, o cromeleque do Xerez, um conjunto megalítico de 55 menires, vai ter de mudar de local. Os trabalhos, que serão inteiramente financiados pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas de Alqueva (EDIA), visam retirar o cromeleque do local e levá-lo para um terreno próximo do Convento da Orada, no concelho de Reguengos de Monsaraz, espaço esse que futuramente irá também receber o Museu de Arqueologia do Alentejo, onde irá ficar instalado o espólio arqueológico encontrado durante os trabalhos realizados para a construção da barragem. O cromeleque deverá estar reinstalado no Verão de 2003, sendo que o museu que irá fazer-lhe companhia só mais tarde começará a ser erigido. Até lá, um centro de interpretação provisório ajudará os visitantes que ali se deslocarem.

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