quarta-feira, maio 16, 2007

Uma semana diferente

Ora bem, cá estou ao fim de alguns dias, completamente arrasada... desde domingo tudo aconteceu na minha família, a minha sobrinha preferida deu entrada de urgência no hospital... o seu Pai dá entrada num outro hospital para ser operado e, eu ando numa roda viva a caminho de Lisboa para assistir à formação profissional e, de regresso à margem sul, a caminho de casa e dos hospitais... nem consigo respirar.
Mas... tenho que pensar positivo e, aqui estou para vos contar a minha aventura esta semana.
Esta é uma semana diferente, há muito que não andava de eléctrico por essas belas ruas e calçadas portuguesas; pois, todos os dias faço um percurso interessante desde o Cais do Sodré até Algés e, no regresso desde Algés até à Praça da Figueira no moderno e confortável eléctrico da carreira 15. E lá vou eu entretida com os meus pensamentos, olhando tudo o que me rodeia, seja dentro do eléctrico ou fora dele, o pulsar das multidões em hora de ponta, o entra e sai desgovernado, a entrada de muitos turistas que se deliciam com o nosso maravilhoso clima e, esta semana prima por isso, tem estado uns dias de calor e sol bem radioso.
Marcada por uma incrível luminosidade, Lisboa é uma cidade de contrastes, pautada pelos seus vales e colinas, pela harmonia entre a modernidade e a antiguidade e rica em monumentos e museus.
Adoro esta forma de me deslocar, pois tenho oportunidade de passar em locais bem agradáveis, como ali em Belém, vejo o Centro Cultural de Belém, o Museu da Marinha, os Jerónimos e o fascinante jardim em frente (aqui apetece-me saltar do eléctrico e, deitar-me naquela relva tão verde, debaixo das frondosas árvores do jardim) olho as suas belas palmeiras, espreito para a pastelaria dos «pastéis de Belém», vejo os guardas à porta do Palácio de Belém…assim vou eu apreciando a vida frenética desta cidade.


O eléctrico entra na Avenida 24 de Julho, aqui acelera e os edifícios passam por mim numa velocidade alucinante: Ministério da Educação, DGAP - Direcção-Geral da Administração Pública, o edifício do IADE, as discotecas kapital e outras… aprecio uma correnteza de vários prédios todos tão iguais mas de diferentes cores, amarelo, beje, laranja, azul…que linda paleta de cores vivas. Chegamos ao Cais Sodré e ao Mercado da Ribeira (ah, que saudades das madrugadas em que ia ao «cacau da Ribeira»)
Vejo o British Bar e descubro a Travessa do Cotovelo, (alguém conhece?...)nunca me tinha apercebido da sua existência.

Homens compram jornais na tabacaria da esquina, antes de subirem a Rua do Alecrim. Na loja onde se vende o bacalhau, havia barricas de sangacho, castanhas piladas, grão de bico ao litro e peixe seco.
Avisto o edifício da Câmara de Lisboa, belo e limpo, a fachada toda branquinha e trabalhada; chegamos à Praça do Comércio e entra na Rua da Prata, está prestes a terminar a minha aventura no eléctrico da carreira 15.
Tenho saudades desses instantes suspensos, sim, mas do que tenho mesmo saudades, é de me sentar no chão. Não no muro à beira do caminho, não na pedra à sombra da acácia, mas no chão mesmo.
É isso «saudades de Africandar»…

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