CAHORA BASSA É NOSSA...

CAHORA BASSA É NOSSA - foi HOJE o grito de vitória mais ouvido em Moçambique.
Maputo assinalou com uma mega-cerimónia, hoje - dia 27 de Novembro, no distrito de Songo, centro de Moçambique, a transferência do controlo de Portugal para Moçambique da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), um dia após a reversão efectiva do empreendimento, no dia 26.
A cerimónia, que contou com a presença do Presidente moçambicano, Armando Guebuza, de um representante do Governo português e de chefes de Estados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), aconteceu um dia depois da transferência bancária dos 700 milhões de dólares (477 milhões de euros) para reversão da posição accionista na HCB, que foi efectuada a 26 de Novembro. A verba adiantada por um consórcio bancário composto pelos bancos português BPI e francês Calyon, vencedores de um concurso público aberto pelo governo moçambicano.
"Cahora Bassa é nossa" foi a célebre frase que mais se ouviu hoje em Moçambique!!!
O pagamento da dívida de 700 milhões de dólares a Portugal aconteceu a um mês de expirar o prazo limite de 31 de Dezembro de 2007 previsto no acordo sobre a venda da HCB, assinado a 31 de Outubro de 2006 em Maputo pelo Presidente moçambicano e pelo primeiro-ministro português.
O pagamento da dívida de 700 milhões de dólares a Portugal aconteceu a um mês de expirar o prazo limite de 31 de Dezembro de 2007 previsto no acordo sobre a venda da HCB, assinado a 31 de Outubro de 2006 em Maputo pelo Presidente moçambicano e pelo primeiro-ministro português.
Actualmente, a HCB fornece energia a Moçambique, África do Sul e Zimbabué (que, face à crise que atravessa, acumulou uma dívida avultada à HCB), havendo negociações para alargar a rede ao vizinho Malauí, suscitando a capacidade da barragem o interesse em várias partes do mundo. Em aberto está também a possibilidade de o governo moçambicano vender a pequenos investidores parte dos 85 por cento das acções com que ficará em resultado do negócio, cenário em que a emissão pública de acções ficaria a cargo da Bolsa de Valores de Moçambique.
A transferência do controlo da barragem de Cahora Bassa para Moçambique é um motivo de festa, mas só será um grande feito para o país se os benefícios forem distribuídos por todos e não apenas por uma elite.
A observação é feita por algumas das mais influentes personalidades da sociedade civil moçambicana ouvidas pela Agência Lusa em Maputo, quando Portugal e Moçambique, hoje concluíram a transferência da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Para o mais prestigiado escritor moçambicano da actualidade, Mia Couto, a passagem da HCB para Moçambique "é uma vitória" e "um motivo de festa", mas duvida que "todos lucrarão com isso"."Questiono-me se todos os moçambicanos tirarão proveito, agora que a HCB passa para Moçambique", salienta Mia Couto. O escritor alerta para o risco de, "como no passado, alguns falarem em nome de todos, mas na hora da repartição das vantagens só poucos ganharem".
Um beijinho especial para o meu Amigo e vizinho Mia Couto.
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